Não é porque a internet toda está dançando que você precisa dançar.

O ano de 2025 começou com a visão estratégica das empresas, que entenderam que a melhor forma de falar com a audiência em qualquer rede social, seja Instagram, TikTok ou YouTube, é dançar e comunicar como se estivesse comunicando com uma criança. Será que a publicidade virou um circo?
Você decide o que fazer, mas entenda que é importante ter em mente, nas ações estratégicas, todos os pontos importantes para análise e tomada de decisão. Isso faz toda a diferença, não a curto prazo, mas a médio e longo prazo. Acredite em mim.
Calma, e vamos falar sobre isso. Existem duas vertentes interessantes e entendo que há uma confusão nelas. Afinal, 90% das pessoas que trabalham com publicidade somente analisam a postagem, a imagem como ela é, e não analisam os KPIs necessários para interpretar o público. Afinal, uma coisa é curtir e ver um vídeo de dança e palhaçadas, porém, na compra ou interpretação do vídeo, pode ser diferente.
Existem pautas que devem ser consideradas de forma séria, e existem estimulações para cada público-alvo. A autenticidade deve sempre prevalecer acima de qualquer coisa.
Em 2025, os dados mostram que o usuário médio passa cerca de 7 horas por dia online, com as redes sociais sendo um dos principais responsáveis por esse tempo. Plataformas como Instagram, TikTok e YouTube utilizam algoritmos que capturam a atenção, frequentemente oferecendo um entretenimento cada vez mais atraente e viciante. Mas até que ponto essa atenção é genuína? É fácil se confundir na ilusão de um conteúdo que engaja, enquanto as empresas se beneficiam da publicidade que depende, justamente, desse tempo de tela. No final, você é o produto.
O mundo corporativo e governamental viu isso. Afinal, até contas oficiais do governo estão usando essa estratégia do “pão e circo”, que remonta à Roma antiga e ressurgiu com força com todas as redes sociais. Em um mundo onde os usuários buscam entretenimento a todo custo, plataformas oferecem conteúdos superficiais que, por vezes, servem mais como distração do que como informação. Assim, muitos enxergam o celular como um espetáculo, onde a atenção é capturada por um desfile de vídeos, memes e desafios. E isso é triste, afinal, a válvula de escape trocou a absorção de informação de forma clara, por informação em um formato de Galinha Pintadinha.
Políticos também estão confundindo o repasse de informação, confundindo views e curtidas com a interpretação de se a informação está sendo repassada ou não, a politica se tornou mais circo do que era antes. (Sim, isso aconteceu)
Explicando de forma mais didática, quando pais colocam vídeos como “Galinha Pintadinha” para seus filhos, estão utilizando um recurso que explora as características do desenvolvimento infantil e os mecanismos de atenção da criança. Os vídeos infantis são projetados com cores vibrantes, músicas cativantes e ritmos repetitivos, criando um ambiente visual e auditivo que captura a atenção dos pequenos de maneira quase hipnótica.
Esse fenômeno pode ser explicado pelo conceito de “hipnose” no contexto da atenção e da imersão. As crianças, especialmente as mais novas, são altamente receptivas a estímulos visuais e sonoros. A “Galinha Pintadinha”, por exemplo, utiliza animações coloridas e canções simples e envolventes que ajudam a prender a atenção da criança, criando um estado de foco intenso. Essa experiência sensorial pode fazer com que elas fiquem tão absortas que parecem estar hipnotizadas, perdendo a noção do tempo e do ambiente ao redor. É exatamente isso que está acontecendo com você, as redes sociais são galinhas pintadinhas e você é o zumbi, porém um zumbi que não é mais criança, e sim adulto.
Nesse circo moderno, quem realmente se beneficia? As plataformas, claro! Com algoritmos projetados para maximizar o engajamento, cada visualização, curtida e compartilhamento se transforma em moeda de troca para as empresas que querem lucrar com publicidade. O tempo de tela se torna o novo “pão”, alimentando um ciclo em que a superficialidade se torna a norma. E o que estamos trocando por isso? Nossa capacidade de discernir, de aprofundar discussões e de buscar significados mais profundos se transporta a cada rolagem da tela.
Não estou dizendo que não deva haver o conceito de chamar a atenção, afinal, é isso que prende a atenção do espectador nos primeiros 5 segundos. Porém, isso deve ser exceção e não regra em todas as peças. Afinal, você coloca em xeque a seriedade do seu produto ou serviço. Para alguns produtos, claro que dará certo; afinal, eles já criaram uma marca forte, como podemos citar a Netflix. Ela pode brincar da forma que quiser, afinal, além da sua audiência, todos já sabem da consistência do serviço. Mas, como está no título deste artigo, você não precisa dançar porque todos dançam. Afinal, sua marca e audiência é outra coisa, “são outros 500”.
Por hoje é só, e até o próximo artigo.